1917 – o que você pode aprender com o filme como escritor.



1917 é um dos filmes favoritos a levar o Oscar e certamente é um filme robusto em muitos elementos da cinematografia. Talvez 1917 seja o filme que mais traz ao espectador a atmosfera de guerra que não é meramente externa. O filme tem um poder de imersão que faz o espectador sentir a estranheza beleza e horror daquele mundo que nenhum de nós viveu. Ainda bem, claro! A seguir algumas observações sobre 1917 e sua estrutura e desenvolvimento (haverá alguns spolliers)


Quanto a estrutura do filme ela opera com sutilezas e metáforas recursos que você pode usar em suas histórias.


A enganação do clima esse recurso pode ser usado para criar uma sensação impactante ao descobrir o rumo da história. Por exemplo, o filme começa com dois soldados debaixo de uma árvore e muitos espectadores pensam que vão ver um filme lento e talvez teve gente que até bufou pois achava que os soldados ficariam ali, logo na abertura com um lenga-lenga, mas o rumo de 1917 é outro. Esse recurso é apenas para criar uma atmosfera e possibilitar um certo contraste vigoroso a seguir. Pois logo em seguida os soldados recebem uma ordem e o filme não para mais.


A jornada do Herói – essa estrutura, a jornada do herói é algo muito comum em histórias e um recurso também poderoso a ser considerado na hora da estruturação de seu enredo. Quando os soldados Schofield (George MacKay de Capitão Fantástico) e Blake (Dean-Charles Chapman, de O Rei). São recrutados para uma missão a jornada começa. A missão pode receber o nome de o Chamado à Aventura ela ocorre logo no início numa estruturação clássica da Jornada do Herói. Os dois rapazes partem em uma jornada inóspita pelas terras devastadas dos campos da Primeira Guerra. Sua missão é humana e sagrada – salvar 1.600 soldados – impedindo um ataque onde cairão em uma armadilha. Bem, veja que até aqui temos então: Uma falsa visão de monotonia do início, logo uma surpresa, uma mudança radical, O chamado à aventura. Pano de fundo (obra-prima) pano de fundo (obra-prima). O pano de fundo é também um dos elementos mais ricos e assim como no cinema pode ser criado na literatura, e arrisco dizer que talvez seja mais difícil na literatura que no cinema... Bem que no caso de 1917 fica difícil decidir, pois a fotografia do filme, a direção de arte te fazem sentir a grandeza, o medo, e o fedor da guerra. Você está me acompanhando? Você não vai dormir ou ir embora, vai? Então a estrutura não é tudo mais vai te ajudar pra caramba com seu livro. Se 1917 não tivesse a estrutura da Jornada do Herói não seria o grandioso filme que é. Mas é claro que não é só isso... Mas voltemos a estrutura. Então seguimos os rapazes e logo vem mais uma surpresa e reviravolta no enredo. Acreditamos que o soldado Blake seja o herói da história pois é ele que tem um irmão lá nos campos onde devem chegar e enviar a ordem de suspender o ataque. O irmão dele está lá e isso nos impede de pensar que ele não seja o herói, essa “malícia” de nos deixar pensar algo e nos transtornar com uma mudança é algo poderoso em um enredo, mas é claro que precisa saber fazer com a medida e polegadas certas senão fica uma... você sabe... Acontece que Blake é esfaqueado e morre... E então é Schofield que assume o lugar do herói na Jornada do Herói, então veja que diferente de por exemplo em o Senhor dos Anéis, em que Frodo e Sam partem em uma missão, O Chamado à Aventura e temos a certeza (ou quase) que ambos permanecerão vivos, em 1917 se ousa um pouco mais e evolui a estrutura com um surpresa, a morte do suposto herói. Bem fazer algo assim é perigoso pois a história pode não se sustentar. Esse artigo é apenas para mostrar um pouco da importância de uma estrutura e como algo como A jornada do Herói pode ser realizado com inúmeras mudanças que direcionam a história. E você pode fazer diversas observações assistindo ao filme. Ah! Assistam mesmo essa obra-prima!


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