5 romances incríveis da década de 70 que precisa conhecer


1 O cerco de Krishnapur

Começamos com a aclamada obra que ganhou o Man Booker em 1973, do escritor JG Farrel, que levou o prêmio uma outra vez, em 2010. Esse romance histórico distinto, narra os eventos que passam no ano de 1857, na cidade imaginária de Krishnapur, a comunidade britânica resiste com bravura ao ataque lançado por um exército de indianos.

No final do cerco, a cólera, a fome e os agressores mataram a maioria dos ingleses, e os que restam são forçados a alimentar-se de cães, de cavalos e, por fim, de baratas. Mas nunca perdem a habitual fleuma britânica: no meio do caos, o chá continua a ser às cinco e a luta pela sobrevivência prossegue, agora lançando mão dos luxuosos candelabros e violinos, as armas que restam para enfrentar a barbárie.

Sem dúvida uma obra-prima, nos precisaríamos de um escritor com esse talento para termos um grande romance histórico.

Um olhar inspirado, cómico mas em última instância trágico sobre o colonialismo britânico na Índia. Um livro com uma invulgar exuberância

The Independent on Sunday

2 Sargento Getúlio

Esse certamente é mais conhecido por todos nós. Obra desse escritor, João Ubaldo Ribeiro, grande e figura impar em nosso país, o último talvez escritor regionalista com o conhecimento de se fazer ficção com beleza, ritmo, sintaxe e brasilidade.

A narrativa está centrada num monólogo, quebrado por alguns diálogos, do sargento da polícia militar de Sergipe Getúlio Santos Bezerra. Ele recebera, como última incumbência antes da aposentadoria, a ordem de prender um adversário de um importante chefe político e levá-lo de Paulo Afonso para Aracaju. A data parece ser a década de 1950, devido às alusões a políticos brasileiros da época.

Inicialmente, o monólogo se dirige ao prisioneiro, mas em seguida torna-se monólogo interior e, mais tarde, fluxo de consciência de Getúlio, que expõe não apenas os acontecimentos presentes, mas também seu passado, suas impressões e fantasias de macho. Outras técnicas sofisticadas utilizadas pelo autor são a não-linearidade temporal dos episódios, o emprego de redundâncias, neologismos, regionalismos, frases incompletas e retorcidas que buscam reproduzir a linguagem oral, além de elementos da sátira menipeia e do dialogismo. Assim, apesar do enredo dessa obra ser simples, trata-se de leitura sutil e complexa.

Na epígrafe do livro, João Ubaldo escreve que se trata de "uma história de aretê". A menção à deusa Areté (virtude) justifica-se porque Getúlio faz da execução da tarefa uma questão de honra pessoal, persistindo nela apesar de todas as dificuldades. Antônio Cândido compara o personagem a Antígona, por aferrar-se a um código de honra que perdeu o sentido com a modernização. Ainda segundo Cândido, a obra se insere no que ele chama de "a terceira fase da consciência do atraso da América Latina", que corresponderia ao super-regionalismo, em que são utilizados elementos mágicos, fantásticos, para retratar um espaço primitivo, feudal, em confronto com a civilização urbana brasileira; João Guimarães Rosa seria o primeiro nome dessa corrente.

3 O mar, O mar