Escrever em alguns países pode te condenar à morte!


Em 14 de fevereiro de 1989, o então aiatolá Ruhollah Khomeini, líder religioso do Irã, promulgou umafatwa (pronunciamento legal feito por um especialista religioso) exigindo a morte do autor indo-britânico Salman Rushdie.

A ira muçulmana em relação às blasfêmias contra o profeta do Islã, Maomé, é bem mais antiga do que os ataques ao jornal satírico Charlie Hebdo. A reação ao livro “Os versos satânicos”, de Salman Rushdie, é um exemplo disso.

Rushdie foi acusado de blasfemar contra o islamismo no romance, cujo título faz referência a um conjunto de versos supostamente excluídos do Alcorão. Neles, o profeta Maomé solicitaria a intercessão de três deusas pagãs de Meca. Segundo a lenda, esses versos foram eliminados do livro sagrado por não estarem de acordo com o monoteísmo do islã.

Como o autor morava em Londres, ele pediu proteção à polícia britânica. Rushdie, que nasceu de uma família muçulmana na Índia, lamentou que a maioria das pessoas que atacam o livro nem tinham lido a obra.

Como ela foi considerada uma ofensa ao mundo islâmico, a obra acabou desencadeando violência em várias partes do mundo, sendo banido em países como Índia, Bangladesh, Indonésia e Paquistão. Até mesmo os profissionais envolvidos na publicação sofreram ameaças. O romancista viveu escondido, durante uma década, sob proteção da polícia britânica. Em 7 março de 1989, o Reino Unido rompeu relações diplomáticas com o Irã devido à controvérsia em torno de Rushdie. Porém, depois mais de uma década, os laços foram restaurados quando o então presidente iraniano Mohammad Khatami comprometeu-se publicamente, depois de muita pressão internacional, de que seu país “nem apoiaria nem impediria tentativas de assassinato contra Rushdie”. Mesmo vivendo virtualmente como um prisioneiro, Salman Rushdie continuou escrevendo livros e ensaios.

Contudo, os linhas-duras do Irã seguiram reafirmando a “sentença de morte”. Em 2012, uma organização religiosa chegou a aumentar o prêmio pela cabeça do escritor de 2,8 milhões para 3,3 milhões de dólares.

Atualmente, o escritor aparece em público.


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