5 romances incríveis da década de 70 que precisa conhecer

April 15, 2016

1 O cerco de Krishnapur

 

 

Começamos com a aclamada obra que ganhou o Man Booker em 1973,  do escritor JG Farrel, que levou o prêmio uma outra vez, em 2010. Esse romance histórico distinto, narra os eventos que passam no ano de 1857, na cidade imaginária de Krishnapur, a comunidade britânica resiste com bravura ao ataque lançado por um exército de indianos.

 

 

No final do cerco, a cólera, a fome e os agressores mataram a maioria dos ingleses, e os que restam são forçados a alimentar-se de cães, de cavalos e, por fim, de baratas. Mas nunca perdem a habitual fleuma britânica: no meio do caos, o chá continua a ser às cinco e a luta pela sobrevivência prossegue, agora lançando mão dos luxuosos candelabros e violinos, as armas que restam para enfrentar a barbárie.

 

Sem dúvida uma obra-prima, nos precisaríamos de um escritor com esse talento para termos um grande romance histórico.

 

Um olhar inspirado, cómico mas em última instância trágico sobre o colonialismo britânico na Índia. Um livro com uma invulgar exuberância

The Independent on Sunday

 

 

2 Sargento Getúlio

 

Esse certamente é mais conhecido por todos nós.  Obra desse escritor, João Ubaldo Ribeiro, grande e figura impar  em nosso país,  o  último talvez escritor regionalista com o conhecimento de se fazer ficção com beleza, ritmo, sintaxe e brasilidade.

A narrativa está centrada num monólogo, quebrado por alguns diálogos, do sargento da polícia militar de Sergipe Getúlio Santos Bezerra. Ele recebera, como última incumbência antes da aposentadoria, a ordem de prender um adversário de um importante chefe político e levá-lo de Paulo Afonso para Aracaju. A data parece ser a década de 1950, devido às alusões a políticos brasileiros da época.

Inicialmente, o monólogo se dirige ao prisioneiro, mas em seguida torna-se monólogo interior e, mais tarde, fluxo de consciência de Getúlio, que expõe não apenas os acontecimentos presentes, mas também seu passado, suas impressões e fantasias de macho. Outras técnicas sofisticadas utilizadas pelo autor são a não-linearidade temporal dos episódios, o emprego de redundâncias, neologismos, regionalismos, frases incompletas e retorcidas que buscam reproduzir a linguagem oral, além de elementos da sátira menipeia e do dialogismo. Assim, apesar do enredo dessa obra ser simples, trata-se de leitura sutil e complexa.

Na epígrafe do livro, João Ubaldo escreve que se trata de "uma história de aretê". A menção à deusa Areté (virtude) justifica-se porque Getúlio faz da execução da tarefa uma questão de honra pessoal, persistindo nela apesar de todas as dificuldades. Antônio Cândido compara o personagem a Antígona, por aferrar-se a um código de honra que perdeu o sentido com a modernização. Ainda segundo Cândido, a obra se insere no que ele chama de "a terceira fase da consciência do atraso da América Latina", que corresponderia ao super-regionalismo, em que são utilizados elementos mágicos, fantásticos, para retratar um espaço primitivo, feudal, em confronto com a civilização urbana brasileira; João Guimarães Rosa seria o primeiro nome dessa corrente.

 

3 O mar, O mar

 

O romance de Iris Murdoch, escritora e filósofa irlandesa

Charles Arrowby, um semideus do teatro – encenador, dramaturgo e ator – retira-se um dia do seu brilhante mundo londrino para “renunciar à magia e tornar-se um eremita”. Passa a viver numa casa isolada na costa diante de um mar turbulento, transparente e opaco, mágico e maternal. Ali espera, pelo menos, conseguir evitar “as mulheres” – mas eis que, inesperadamente, encontra uma por quem esteve apaixonado há muitos anos. Chega também o seu primo budista, James, e outros visitantes. A solidão de Charles acaba habitada pelo drama das suas fantasias e obsessões, envoltos no ciúme, inveja, verdade e compaixão.

Iris Murdoch nasceu em Dublin, em 1919, de pais anglo-irlandeses. Frequentou a Badminton School, em Bristol, e estudou literatura clássica na Universidade de Oxford. Em 1974 foi-lhe atribuído o Whitbread Prize para "A Máquina do Amor Sagrado e Profano", e em 1978 o Booker Prize a "O Mar, o Mar". Morreu a 8 de Fevereiro de 1999 e é hoje considerada a mais original escritora britânica da sua geração.

 

4  28 contos de John Cheever

 

 

John Cheever apelidado de "Chekhov dos subúrbios", a sua ficção utiliza como cenário o Upper East Side de Manhattan, os subúrbios de Westchester County, em Nova Iorque, e pequenas vilas e cidades de New England e South Shore, perto de Quincy, no Massachusetts, onde o escritor nasceu.

Cheever ficou conhecido pelos seus contos (incluindo "The Enormous Radio", "Goodbye, My Brother", "The Five-Forty-Eight", "The Country Husband" e "The Swimmer"), mas também escreveu romances, como The Wapshot Cohnhronicle (National Book Award, 1958), The Wapshot Scandal (William Dean Howells Medal, 1965), Bullet Park, and Falconer.

 Lançada em 1978, The Stories of John Cheever, a coletânea da qual foram selecionados os contos publicados em 28 contos de John Cheever, é considerada um fenômeno editorial até hoje, mais de trinta anos depois. Nunca, até e desde então, um livro de contos, gênero que raramente chega às listas de mais vendidos, obteve tamanho sucesso nos Estados Unidos: vendeu 125 mil exemplares na edição de capa dura e figurou por seis meses na lista de best-sellers do New York Times.
 

O volume foi um sucesso não só de público: ganhou três dos prêmios literários mais prestigiosos, o Pulitzer, o National Book Circle Critics Award e o American Book Award. O Washington Post afirmou que "os contos de John Cheever são, simplesmente, os melhores". A revista Time estabeleceu que a antologia "mapeava uma das obras mais importantes das letras contemporâneas". E o New York Times decretou que o livro não era "apenas o acontecimento literário do momento, mas um evento maior na literatura de língua inglesa".

 

5 Num Estado Livre

 

Nesta reunião de cinco narrativas independentes, o escritor de origem indiana V. S. Naipaul cria um elenco de expatriados, fugitivos, imigrantes e nativos que anseiam pela independência política e pessoal, mas que submergem ante a constatação inevitável de que a liberdade não passa de uma miragem arruinada pela crueldade, pelo racismo e pela sede de poder que despreza fronteiras e diferenças culturais. 


Na primeira novela, um criado indiano acompanha o patrão a Washington e lá se torna um cidadão americano, porém sente que deixou de fazer parte do fluxo geral das coisas. Já em “Diga quem tenho que matar”, um asiático atormentado que vive em Londres e está preso por homicídio nunca consegue entender onde de fato está.


A novela que dá título ao livro toma um rumo diferente. A história se passa na África, num lugar como Uganda ou Ruanda, e seus dois protagonistas são ingleses. No passado, eles encontraram a libertação no continente, mas agora ele irá se revelar amargo para eles. A terra não é mais segura e, numa época de conflitos tribais, os dois têm de fazer uma longa viagem de carro rumo à segurança de seu condomínio fechado. No final dessa viagem, saberemos tudo acerca dos personagens ingleses, do país africano e do surgimento da figura de um ditador semelhante a Idi Amin. Dois textos breves servem ainda de introdução e epílogo às três novelas centrais. 


Vencedor do Booker Prize de 1971 e um dos maiores livros de Naipaul, Num Estado livre apresenta uma narrativa tensa e esplendidamente construída, que não abre mão de uma linguagem precisa e impregnada de violência e de raiva.

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