Brasileiros que largaram tudo para viver o sonho da literatura


Se você escreveu um livro ou está escrevendo, ou já tem certa experiência como escritor com certeza deve ter pensado com muito desejo a possibili-dade incrível em viver apenas de literatura. O Brasil embora não seja o melhor país para ser um escritor, também está longe de ser o pior, os números do mercado são nada modestos 5 bilhões de reais, e certamente há espaço para pegar um bocadinho disso e viver de sua arte e imaginação.

Bem, vamos ver alguns casos aqui de pessoas “comuns” nenhuma nascida em berço de ouro, alguém que você pode ter topado no metrô, ou em um supermercado. E o sonho que muitos pintam como muito difícil pode ser até acessível se realmente o deseja.

O primeiro caso é do carioca Flavio Cafiero que largou 14 anos de carreira executiva para se dedicar a literatura. Ele era executivo de uma grande rede de departamento, que, no auge da carreira — tinha entrado na empresa como trainee, aos 22 anos, e já contava 14 lá dentro — decidiu devolver o crachá e vestir uma bermuda larga e ir escrever.

Flávio decidiu ser escritor. O que não significa menos trabalho, mas muito menos certezas. Em menos de cinco anos de dedicação no novo ofício, outra virada: ganhou o prêmio Off-Flip na categoria Contos e tornou-se a grande aposta da editora Cosac Naify. Seu primeiro romance, “O frio aqui fora” lançado em 2013 já está na 4 reimpressão, um feito raro para novos romancistas nacionais.

Mas isso já faz um bom tempo, e hoje Flávio tem 5 romances publicados além de várias peças de teatro. Veja que história interessante, quando ele larga o emprego ele não tem nada escrito, nada em grande volume para se tornar um livro ao menos e também não tem qualquer certeza e nem muito network na área e mesmo assim deu certo! Muita coragem não!!

Seu primeiro romance não tinha como não ser tão autorreferencial.

"Era uma necessidade grande colocar no papel o que eu vivi. Essa mudança é a história que definiu minha vida. Foram 14 anos numa empresa. Sair disso é muito forte, eu precisava contar, me livrar — desabafou Flavio, de passagem pelo Rio de Janeiro, cidade que deixou também em nome da carreira engravatada. — Saí daqui para trabalhar numa filial da loja em Vitória, depois fui para São Paulo e não voltei mais. É também por isso que a trama do livro, sem querer estragar a surpresa, vai se encaminhando em direção ao mar. É como um movimento de retorno."

A produtividade vem de uma das características que mantém do mundo que abandonou: o tal do compromisso. Ainda que tenha perdido as palavras “meta” e “foco” do vocabulário, Flavio não consegue deixar de cumprir um prazo, mesmo os impostos por si mesmo:

Havia um slogan na empresa com a expressão “senso de urgência”. E há um modus operandi executivo que não consigo abandonar. Se eu me propus ser um escritor, passo as 12 horas do meu dia útil sentado, escrevendo.

O segundo caso é de Jussara Souza uma ex-workaholic que largou tudo para amar a si mesma e encontrar o seu propósito de vida.

Formada em Administração e pós-graduada em Controladoria Financeira, descobriu-se escritora aos 39 anos de idade. Em 2015, seu Retorno de Saturno “particular seria um incentivo para uma reviravolta na sua vida. As dificuldades no casamento e as insatisfações com a profissão a levariam para esse mundo encantador da escrita.