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Processo de Escrita - George R.R Martin - Game of Thornes

Atualizado: 10 de jul.


George RR Martin

Dizem que George R.R Martin passou a arquitetar o mundo de Westeros a partir de uma cena vívida que o assombrava: ele imaginou filhotes de lobos gigantes nas neves do verão. Bem se isso é verdade vemos que um mundo pode ter seu gatilho de uma pequena centelha imaginativa pode elevar a um incêndio imaginativo maravilhoso, um mundo de fogo, sangue e ferro; imersivo, coerente, palpável e magnífico.


A escrita de George se inicia desse deslumbre de lobos, dessa estranheza, algo muito pequeno e menos impactante do todo se vermos dessa perspectiva. Contudo o big bang história é muito importante. Não por filhotes de lobos gigantes, mas por que nesse big bang de um admirável mundo ficcional há muito do sentimento da cepa, da essência do que virá a ser numa complexa formação de camadas ordenadas e animadas, organizadas nos trilhos de um enredo em formação. A formação de todo um mundo, é feito de muitos momentos. O momento mais primitivo é uma intuição, uma inspiração, algo quase etéreo, intangível e excelso.


Depois dessa epifania começa o trabalho de formação primária desse mundo, algumas situações, talvez alguma cena, talvez o vislumbre do ambiente, seu cheiro, a roupa de um personagem. O autor deve nessa fase deixar a imaginação fluir, ser seu pensamento imaginativo principal. Você pode estra dirigindo ou fazendo, compras, ou sentado na varanda, caminhando no parque, você parece comum, mas está formando sua história, “viajando”, criando processo visuais, situações sem ordem. Vendo esse mundo como quem sonha e vê pedaços dele, o sente, se sente envolvido, mas não sabe bem o que é, e se deixa levar nesse processo criativo da escrita que poucos falam. É nesse momento, nesse processo de dias, semanas e meses que começam separar os “lobos dos vira-latas”. É aqui George R.R Martin saem do ponto minúsculo de seu big bang e explodem expandem aquilo que pareceria apenas uma visão sem muita expansão para começar tecer um universo complexo e vívido.


Estilo de Escrita - A Abordagem do Jardineiro: Martin concebe seu estilo de desenvolvimento como jardineiro. Mas que raios é isso?! Entre escritores existe essa classificação, que são: "arquitetos" e "jardineiros". Os arquitetos planejam tudo com antecedência, enquanto os jardineiros plantam uma semente e veem como ela cresce. Martin se considera um jardineiro, preferindo descobrir a história à medida que a escreve, o que dá a ele liberdade para explorar novos caminhos narrativos e personagens no processo. Ou seja, ele caminha por uma floresta que conhece, mas não completamente, não sabe bem o que vai encontrar mais adiante e o que encontrar mudará o caminho e própria floresta.


Na verdade, ser o “jardineiro” não é contar só com a intuição e inspiração, é preciso em algum momento ter controle e isso acontece com uma organização. Talvez não previamente estabelecida mas durante o processo. Sendo que podemos ver estruturas muito utilizadas e estudadas em oficinas criativas na obra de George R.R Martin. Essas estruturas podem ser vistas nesse sensacional artigo sobre estruturas narrativas complexas 7 estruturas narrativas que todos os escritores devem conhecer.

 

 

Desenvolvimento de Personagens e Consequências das Ações: Um dos aspectos mais notáveis dos livros de George R.R Martin é a complexidade dos personagens. George é conhecido por criar personagens "cinzas", que não são puramente heróicos nem completamente malignos. Martin acredita que todos têm a capacidade de realizar ações heróicas e egoístas, o que confere profundidade e realismo aos seus personagens​. Aumente sua visão de desenvolvimento de personagens lendo esse artigo: Como escrever um personagem complexo.

 

Temas e Causualidade: George R.R Martin enfatiza a importância da causalidade nas histórias. As ações dos personagens têm consequências, boas ou ruins, que moldam os eventos futuros. Este princípio é fundamental para manter os leitores engajados e investidos no resultado da história​.

 

Dificuldades e Realidades da Escrita: Ele admite que a escrita pode ser difícil e que ele enfrenta desafios, como quando só consegue escrever "uma frase e meia" antes de desistir. No entanto, ele acredita que a prática constante melhora a escrita e que é essencial continuar escrevendo mesmo quando a qualidade parece insatisfatória​.

 

George escreveu desde sempre e As crônicas de gelo e fogo ou o sucesso que conhecemos mais como Game of Thornes só foi possível pois ocorreu a um autor com pouco reconhecimento mas com muita experiência. Fazendo uso de um programa antigo de processamento de texto chamado WordStar 4.0 em um computador DOS, ele justifica o uso dessa velharia porque elimina distrações modernas como redes sociais e outras funcionalidades de internet, permitindo que ele se concentre exclusivamente na escrita. Ele já havia escrito muita coisa até 1996 quando traz ao mundo Game of Thornes o primeiro volume da série.  Para se ter ideia seu primeiro conto, o qual ganhou algum dinheiro pela publicação em uma revista ocorreu em 1970. George R.R Martin começou a escrever contos de ficção científica exatamente no começo da década de 1970. Apesar de o início de sua carreira não ter sido fácil (uma de suas histórias foi rejeitada por diferentes revistas 42 vezes), ele nunca se desencorajou. Sua primeira história indicada para o Hugo e para o Nebula foi With Morning Comes Mistfall, foi publicada na revista Analog Science Fiction and Science Fact em 1973. 

 

Por que As Crônicas de Gelo e Fogo deram tão certo? Essa é uma resposta que só poderia ser respondida por um extensa e exaustiva a análise. E por quê? Pelo fato de estarmos investigando uma mitologia. Um mundo de fato. Muitos tentam criar um Mundo autêntico e palpável, poucos o conseguem. Se falarmos do trabalho de George R.R Martin estamos falando de decisões acertadas e trabalho duro.


As decisões:

Sua abordagem realista e implacável, onde personagens importantes podem morrer inesperadamente e o bem nem sempre triunfa sobre o mal, redefiniu o gênero e abriu caminho para uma nova geração de escritores de fantasia​.


Um dos princípios fundamentais da escrita de Martin é a causalidade. Ele acredita que as ações dos personagens devem ter consequências reais, boas ou ruins, que afetam o curso da história. Essa abordagem ajuda a manter os leitores engajados e investidos no resultado da narrativa.


E quando? The Winds of Winter?


Desenvolver o livro "The Winds of Winter" tem sido um desafio monumental para George R.R. Martin devido a várias razões. Inicialmente, "The Winds of Winter" foi concebido para ser o último livro da série "A Song of Ice and Fire", mas Martin decidiu expandir a série, resultando na necessidade de mais volumes.


Um dos principais desafios é o tamanho e a complexidade do manuscrito. Martin mencionou que os últimos dois volumes da série poderiam ter mais de 1.500 páginas cada, o que implica um trabalho extenso de escrita e revisão. Em 2018, ele resistiu à sugestão de seus editores de dividir

"The Winds of Winter" em dois livros​.


Além disso, Martin trabalha em outros projetos simultaneamente, o que atrasa ainda mais a conclusão do livro. Ele está envolvido com novas histórias de "Dunk and Egg", o segundo volume de "Fire & Blood", e colaborações artísticas, como um calendário de 2025​.

Uma grande pressão dos fãs. Martin tem discernimento de que suas estimativas de publicação anteriores não foram cumpridas, o que gerou frustração entre seus seguidores. Em entrevistas, ele mencionou que prefere não fornecer mais prazos específicos para evitar desapontamentos​

Apesar dessas dificuldades, há otimismo cauteloso de que "The Winds of Winter" possa ser lançado em 2024, embora ainda não haja uma data confirmada.


 

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